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No Brasil, a cantora negou-se a dar entrevista à TV Globo, rejeitou um hotel 5 estrelas na Barra da Tijuca para hospedar-se no Vidigal.

[ i ] Lauryn Hill faz show em São Paulo nesta terça. Foto: Divulgação Lauryn Hill faz show em São Paulo nesta terça.

São Paulo - Difícil achar uma música mais representativa dos anos 1990 do que "Ready or Not", com Lauryn Hill cantando dentro de um submarino com Wyclef Jean, seu parceiro na banda Fugees. Havia ali as bases de uma música que se tornaria suprematista nos anos seguintes, na alternância do clássico vocal black com o novo hip-hop, fundindo jazz e dub, radicalizando nos teclados, nos efeitos, na cadência - aquilo que culminaria como o novo R&B (teve quem chamasse de Rap da Costa Leste ou de Rap Alternativo).

Separada de seus parceiros, Lauryn Hill iniciou brilhante carreira-solo. Em 1998, quando tinha só 22 anos, ela lançou o disco "Miseducation of Lauryn Hill", que foi um arraso. Estabelecia um novo patamar para o música pop. Teve 11 indicações para o Grammy, levou 5 prêmios. Ficou tão estelar que começou com esquisitices. Em 2007, veio pela primeira vez ao País, instaurando uma "regra" de atrasos que chegavam a duas horas.

No Brasil, negou-se a dar entrevista à TV Globo, rejeitou um hotel 5 estrelas na Barra da Tijuca para hospedar-se no Vidigal. Dizia que a Tijuca era lugar de "gente de embaixadas e cônsules, só bundões". Veio tocar em São Paulo, no HSBC, e, de volta ao Rio, armou um ensaio em um dos salões do hotel. Lauryn ensaia exaustivamente com sua banda antes de cada show, e é perfeccionista - só de teclados, trouxe 16 instrumentos.

"Ela é geniosa e genial", disse um dos produtores que a acompanharam na época. "É como se fosse uma Nina Simone de 30 anos." Numa festa da MTV, David Bowie a apresentou dizendo que ela "pertence à linhagem dos artistas que iniciam revoluções". A cantora nasceu em South Orange, New Jersey, em 1975. É doida, mas atenta. Ouviu o disco "Kaya N’Gan Daya" (2001), de Gilberto Gil, e elogiou os arranjos. "É reggae à moda brasileira. O reggae que faço também não é jamaicano, é americano. Ninguém consegue fazer reggae como na Jamaica", afirmou (é casada com um dos filhos de Bob Marley).

Seu retorno, amanhã (07), no palco do Credicard Hall, é uma incógnita: volta a artista visionária ou a messiânica? Ela ainda canta em Belo Horizonte (sexta, no Chevrolet Hall) e em Brasília (no domingo, no Iate Clube).

Ingressos

LAURYN HILL. Credicard Hall. Av. das Nações Unidas, 17.955, Santo Amaro, 

tel. 4003-6464. Amanhã (07), às 21h30. R$ 100/R$ 250.

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