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Hoje a unidade de saúde completa oito anos de atuação no Amazonas.

Manaus - Com 800 transplantes realizados e 1,2 mil córneas doadas, o Banco de Olhos do Amazonas, que completa hoje oito anos, tem um desafio de sensibilizar a população para zerar a fila de espera, que hoje conta com 390 pessoas. “Fazemos 100 transplantes por ano. Nossa meta é zerar a fila de banco de olhos. Por isso, pedimos a colaboração da população”, disse a coordenadora do Banco de Olhos, Cristina Garrido.

De acordo com Cristina, no primeiro ano de funcionamento, em 2004, foram contabilizadas 49 doações e em 2011 o banco recebeu 196 córneas. “Nesses oito anos,  fizemos um trabalho de esclarecimento e divulgação e, assim, fomos aumentando gradativamente o número de doações e conseguimos ultrapassar as mil doações”, comemorou. Este ano, entre os meses de janeiro e março, o Banco já recebeu 55 doações e beneficiou 34 pacientes, que puderam voltar a enxergar após o transplante de córnea.

É o caso da vendedora Sandra Canavarro, 38, que sofria de ceratocone (córnea em forma de cone que vai progredindo) e já não conseguia enxergar direito para realizar atividades simples da vida, como atravessar uma rua e pegar um ônibus. “A minha vista era como se fosse um vidro molhado. Não andava mais à noite e, na hora de atravessar a rua, muitas vezes, a minha filha de 4 anos é que me orientava”, contou.

Transplantada há quatro anos, Sandra afirmou que hoje leva uma vida normal, trabalha,  sai à noite sem problemas  e voltou a dirigir  sua moto. “O olho que foi transplantado não zerou totalmente o grau, ainda estou com 2,5. Mas pelo que era (8 graus), estou plenamente curada”, disse, acrescentando que esperou apenas duas semanas no Banco de Olhos. 

Procedimento

A coordenadora do Banco de Olhos, Cristina Garrido explicou que as córneas são captadas a partir de doador falecido para que sejam transplantadas em pacientes cegos ou com deficiências visuais graves. “De seis a dez horas, no máximo, após o falecimento, a equipe do Banco de Olhos pode remover as córneas”, ressaltou. Esse procedimento só é realizado mediante a autorização da família do doador.

Depois de retirada do doador, a córnea precisa ser utilizada no procedimento cirúrgico que faz a substituição da córnea doente por uma nova em até 14 dias. “Nem todo o material doado para o Banco está em condições adequadas para ser transplantando em outra pessoa”, ressaltou Cristina. Por essa razão, para garantir a qualidade do material doado é feita uma avaliação por meio de equipamentos e procedimentos seguros, que seguem as normas nacionais e internacionais de qualidade dos órgãos reguladores.

Entre os procedimentos realizados antes do transplante está a coleta de uma amostra do sangue do doador, que é testada para verificar a presença de doenças transmissíveis, tais como as hepatites B e C e o HIV. A contaminação por essas doenças e a má qualidade do tecido ótico são os principais motivos que levam ao descarte do material doado.

Motivos

A coordenadora do Banco de Olhos explicou ainda que a contaminação da córnea pelo uso de lentes de contato sem orientação médica e a perfuração da córnea durante a realização de trabalhos insalubres e em acidentes de trânsito são as principais causas que levam à cirurgia de transplante de emergência no Amazonas, atendidos pelo sistema estadual de saúde.

“Nas nossas estatísticas aparecem muitos jovens  que tiveram a córnea perfurada por usarem lentes de contato sem orientação médica e, em muitos casos, emprestadas de amigos. São pessoas que não precisam nem usar óculos de grau, mas por vaidade, usam as lentes coloridas e desenvolvem graves problemas de visão, somente solucionados ou minimizados através de um transplante”, alertou.

Doações

As doações também são importantes para a realização de pesquisas científicas. Além da córnea, a esclera (parte branca) também pode ser transplantada. As outras partes do olho doadas podem ser utilizadas em pesquisas científicas para novas descobertas.

Conforme a atual legislação brasileira, qualquer pessoa com mais de dois anos de idade pode ser doador de córnea. A doação é decidida pela família, que permite o procedimento por meio de um termo de autorização. A escolha da pessoa que vai receber a doação é feita pela ordem de urgência, seguindo a Lista Única de Receptores. A inscrição na Lista é feita pelo médico que acompanha o paciente.

Para mais informações sobre o Banco de Olhos, ligue (092) 3214-9303/3644-2616.

Missa

Para comemorar o aniversário do Banco será realizada uma missa em ação de graças, reunindo os profissionais do Banco de Olhos, familiares dos doadores e receptores de córneas. A missa será celebrada hoje, às 19h, na Igreja Nossa Senhora de Nazaré, localizada na Rua Recife, 700, Adrianópolis, zona sul da capital.

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