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RSSSegredos de grupo político argentino são revelados em livro
O grupo ocupa ainda dez cadeiras na Câmara dos Deputados, vários espaços no Legislativo da capital argentina e diversos postos no governo, afirmou à Agência Efe a autora do livro, a jornalista Laura Di Marco.
Buenos Aires - O grupo político "La Cámpora", liderado pelo filho da presidente argentina Cristina Kirchner, Maximo Kirchner, e formado por jovens que apóiam o governo, é tema de novo livro que foi lançado no país neste sábado na Feira Internacional do Livro de Buenos Aires.
"La Cámpora, historia secreta de los herederos de Néstor y Cristina Kirchner" ("La Cámpora, história secreta dos herdeiros de Néstor e Cristina Kirchner", em tradução livre) mostra diversas características da organização, como a popularidade do grupo no país e o controle de grandes recursos. Da mesma forma, é evidenciado seu protagonismo no governo argentino.
Integrado em sua maioria por jovens militantes, o espaço político conta entre seus membros com o vice-ministro de Economia, Axel Kicillof, encarregado do projeto governamental de desapropriação de 51% das ações da companhia petrolífera argentina YPF que pertencem à espanhola Repsol.
O grupo ocupa ainda dez cadeiras na Câmara dos Deputados, vários espaços no Legislativo da capital argentina e diversos postos no governo, afirmou à Agência Efe a autora do livro, a jornalista Laura Di Marco.
Mariano Recalde, o presidente da Aerolíneas Argentinas, maior companhia aérea do país, desapropriada da espanhola Marsans e controlada pelo Estado, é membro de "La Cámpora".
Além dele, integrantes da Administração Nacional de Seguridade Social (Anses) também compõem o grupo. Segundo Laura, recursos dessa última instituição "foram muito utilizados na campanha" das eleições de 2011, quando Cristina foi reeleita com 54% dos votos.
"Trata-se de uma militância rentável que no ano passado incorporou entre sete e oito mil empregados no Estado. É um agrupamento que cresce a partir do governo", explicou.
Laura destaca ainda que a organização não fala com os meios de comunicação, uma contradição, já que defende a democracia. O livro também comenta que o grupo exibe "grande tolerância a atos de corrupção" e não aceita "dissidências" com o Executivo.
O falecido ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), marido de Cristina, foi o impulsionador do espaço, mantido pelos líderes de militantes de partidos tradicionais, filhos de desaparecidos durante a ditadura que se destacam em organizações humanitárias e jovens acadêmicos de esquerda, como é o caso de Kicillof.
"O vice-ministro, que em um primeiro momento pensou que Kirchner era a continuidade do modelo neoliberal, é o novo cérebro econômico do governo. A presidente o consulta muito", comentou Laura, ressaltando a escalada do economista no grupo após a morte do ex-presidente em outubro de 2010.
Porém, foi seu filho, Máximo, que assumiu a liderança do grupo após a morte de seu pai. "Máximo faz parte da saga familiar do peronismo. Tem muita influência no dia a dia da organização. E a presidente conversa sobre muitos temas com ele", disse Laura.
A pesquisa da jornalista sofreu retaliações e teve dificuldade em conseguir entrevistas com dirigentes do agrupamento. No entanto, a autora falou com vários membros que não quiseram se identificar, entre eles com o ex-subsecretario de Comércio Exterior Ivan Heyn, que foi encontrado morto em dezembro passado em um hotel de Montevidéu, durante uma viagem para participar de uma Cúpula do Mercosul.
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