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A operação, que se assemelha aos créditos concedidos pelo BNDES, acontece via Proex, linha que geralmente financia a exportação de mercadorias.

Brasília - O Banco do Brasil está financiando projetos internacionais cada vez maiores e começa a concorrer de frente com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No fim de semana, executivos do BB acertaram condições de um empréstimo de US$ 223 milhões para a instalação de uma usina de etanol na Colômbia. Segundo as empresas envolvidas, é a maior operação privada realizada até hoje pelo Programa de Financiamento às Exportações (Proex). O dinheiro vai beneficiar um grupo israelense que vai comprar equipamentos de uma fornecedora brasileira. O contrato será firmado em breve.

A operação, que se assemelha aos créditos concedidos pelo BNDES, acontece via Proex, linha que geralmente financia a exportação de mercadorias. Ao mesmo tempo em que o BB fecha o contrato, a política externa brasileira mantém a meta de levar a cultura do etanol a mais países da América Latina, já que o governo pretende alçar o combustível à categoria de commodity internacional.

O chefe do projeto encabeçado pelo Grupo Merhav, Jorge Chavez, explicou a reportagem, por telefone, que as conversas com o BB começaram no auge da crise, no fim de 2008. O empréstimo é destinado à construção da usina que vai usar equipamentos e a tecnologia de uma empresa paulista, a Uni-Systems. Essa é o segundo financiamento às usinas construídas no exterior pela companhia. A primeira, no Peru, teve crédito bem menor, de apenas US$ 25 milhões.

O juro cobrado pelo BB é composto pela taxa Libor - referência no mercado britânico - acrescido de spread zero. Atualmente, a Libor de um ano em dólar está abaixo de 1% anual. "É muito mais barato que se nós tomássemos o crédito na Colômbia ou nos EUA. É um grande estímulo", diz Chavez, ao comentar que se a empresa fosse a mercado pagaria juro de cerca de Libor acrescido de até 6,5%. O juro competitivo é explicado porque há um seguro de US$ 20 milhões que será acionado em caso de calote.

Dinheiro da União

O Proex é uma linha que usa recursos da União e é operada exclusivamente pelo BB. Segundo a instituição, a linha pode ser da categoria "financiamento", quando há empréstimo para o exportador ou importador com recursos do Tesouro Nacional. A modalidade está "voltada fundamentalmente para o atendimento às micro, pequenas e médias empresas". Nesse caso, a operação foi possível porque a Uni-Systems é qualificada nesse segmento, por ter faturamento anual de até R$ 600 milhões

"Logicamente, o financiamento do Proex é que viabiliza a planta, já que o crédito tem condições muito competitivas", diz o diretor de administração e finanças da Uni-Systems, Luis Carlos de Mello. Além da planta na Colômbia, a empresa paulista tenta crédito de US$ 122 milhões para a instalação de outra usina no Peru e negocia o financiamento para a construção de uma usina de etanol nos Estados Unidos. Em todos esses casos, via Proex do BB

Procurado, o BB não comentou o assunto.

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