domingo 20 abril 2014 . 10:26 . Atualizado às 10:15

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Portal D24AM apurou que pelo menos duas empresas localizadas no bairro Japiim, detentoras de concessões, vendem carros usando contratos de locação de veículos.

[ i ] Ao final de 40 meses do negócio, os taxistas ficam apenas com os veículos e sem as placas. Foto: Diego Bauer Ao final de 40 meses do negócio, os taxistas ficam apenas com os veículos e sem as placas.

Manaus - Concessões públicas de placas de táxi são utilizadas por empresas para obterem lucro de até 500% na venda de veículos. O PORTAL D24AM apurou que pelo menos duas empresas localizadas no bairro Japiim, detentoras de concessões, vendem carros usando contratos de locação de veículos.

Em 2007, a  Câmara Municipal de Manaus (CMM) arquivou uma  Emenda à Lei Orgânica do Município (Loman) que pedia o fim das 19 empresas de táxi que detinham 322 placas ou concessões do serviço. Na prática, a proposta estabelecia o fim da concessão a empresas que possuíam diversas placas.

Cinco anos depois do arquivamento,  nas concessionárias de Manaus um veículo Siena básico, o modelo mais adquirido entre os taxistas, custaem média R$ 30 mil à vista. Nas empresas que comercializam os veículos  juntamente com as placas, o mesmo modelo não sai por menos de R$ 160 mil.

Na empresa Sila Veículos Ltda., na Rua Portugal do bairro Japiim, o DIÁRIO procurou os responsáveis pela comercialização dos veículos. A atendente Suelen Almeida informou que a empresa aluga veículos para serem usados como táxi utilizando placas concedidas pela Prefeitura de Manaus.

De acordo com a atendente, os interessados nos veículos  pagam uma diária de R$ 130 para a empresa. “Ao final de 40 meses, o carro é seu e nós tiramos nossa placa”, explicou.

A alguns metros da Sila Veículos, outra empresa, a Edson Rent a Car, também utiliza o mesmo procedimento para vender carros. “São R$ 8 mil de entrada e mais a diária de R$ 130“, informou a atendente que se identificou como Késsia.

Taxistas ouvidos pelo PORTAL D24AM contaram que motoristas que adquirem veículos nestas condições têm que trabalhar além do horário habitual dos taxistas. “Tenho amigos que trabalhavam quase  14 horas por dia para poder ter o valor da diária, gasolina e ainda ter algum lucro. Não vale a pena. Temos o ditado que diz: ‘quem compra táxi nas empresas ou perde a mulher ou perde o carro’”, afirmou o taxista Weliton Matos, 33, que trabalha nas imediações do Manauara Shopping.

Para o taxista da empresa Golfinho Rádio Táxi, Elias Gomes, os trabalhadores que aceitam o negócio podem perder facilmente os veículos e o investimento, caso atrasem as diárias. “Em caso de avarias nos veículos ou o não pagamento das diárias, eles tomam os carros à força dos taxistas”, frisou.

CMM

Vereadores da base aliada do prefeito Amazonino Mendes e da oposição, ouvidos pelo PORTAL D24AM, são unânimes em condenar a concentração de placas de táxi nas mãos de empresas.

Para o vice-líder do prefeito na CMM, vereador Wilker Barreto, o sindicato da categoria dos taxistas deveria cobrar mudanças para impedir que as empresas acumulem muitas placas. “Isso não começou agora e, no decorrer dos anos, deveriam ser tomadas medidas para coibir esta prática. Eu defendo que as placas de táxi sejam concedidas apenas para quem realmente precisa, sendo uma placa para cada pessoa”, frisou Barreto.

De acordo com o vereador Mário Frota, membro da base de oposição ao prefeito, os taxistas são explorados pelas empresas que cobram valores absurdos por uma concessão pública. “Para mudar essa situação, deve haver uma mão firme da administração municipal. Não sei por que até agora ninguém fez nada para evitar essa abuso. Estas empresas estão aí há anos e ninguém teve coragem de enfrentá-los”, opinou o vereador.

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