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RSSNuzman diz que ex-presidente da Fifa, João Havelange, é um visionário
A justiça suíça divulgou publicamente na quarta-feira documentos que indicam que Havelange chegou a receber subornos da empresa ISL, que comercializava os direitos da maior instância do futebol mundial.
Londres - O ex-presidente da Fifa, o brasileiro João Havelange, foi uma das pessoas mais importantes do esporte no século XX, apesar das recentes acusações de suborno, afirmou nesta sexta-feira, em Londres, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Comitê Organizador dos Jogos Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman.
"O presidente Havelange foi uma das pessoas mais importantes do século XX no âmbito do esporte, assim como Juan Antonio Samaranch (presidente do Comitê Olímpico Internacional de 1980 a 2001)", declarou Nuzman, durante a inauguração de uma exposição de cultura brasileira na Somerset House, no centro de Londres.
"Havelange transformou o futebol", assegurou o também membro do COI.
Nuzman, de 70 anos e um dos principais responsáveis pela candidatura do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016, não quis comentar as recentes acusações de suborno contra Havelange, de 96 anos e presidente da Fifa durante 24, até 1998.
"Não posso opinar sobre um assunto da FIFA", explicou.
A justiça suíça divulgou publicamente na quarta-feira documentos que indicam que Havelange chegou a receber subornos da empresa ISL, que comercializava os direitos da maior instância do futebol mundial.
Havelange, substituído à frente da Fifa por Joseph Blatter em meados de 1998, recebeu um ano antes 1,5 milhão de francos suíços (a mesma quantidade em dólares americanos) por parte da sociedade, enquanto o ex-presidente da federação brasileira, Ricardo Teixeira, embolsou 12,74 milhões também procedentes da International Sport and Leisure (ISL).
Esta empresa de marketing quebrou no ano 2001 com dívidas que alcançavam os 300 milhões de dólares.
Estes subornos foram divulgados pelo Supremo Tribunal de Justiça da Suíça, de acordo com documentos arquivados e publicados pela BBC britânica na última quarta-feira.
A Fifa também divulgou o relatório do tribunal suíço em seu site, esclarecendo que, embora Havelange e Teixeira estivessem envolvidos neste caso de corrupção, Blatter não estava, ainda que os documentos revelem que o atual presidente sabia que Havelange e Teixeira receberam subornos por parte da ISL.
Apesar destes indícios, Nuzman, que recebeu um forte apoio de Havelange durante a campanha dos Jogos Rio-2016, negou-se a avaliar os fatos. "É um assunto interno da Fifa", insistiu.
Havelange, que dará nome ao estádio olímpico do Rio, continua sendo presidente honorário da Fifa, após seu longo mandato, de 1974 e 1998, e foi membro do COI até dezembro passado, poucos dias antes da audiência sobre seus vínculos com a ISL. Era membro do COI desde 1963.
Em maio, recebeu alta depois de passar dois meses internado em um hospital do Rio de Janeiro, onde foi tratado por uma infecção no tornozelo e por problemas cardíacos e pulmonares.
Teixeira, por sua vez, que após as acusações renunciou ao seu cargo à frente da CBF e do Comitê organizador do Mundial de 2014, foi genro de Havelange.
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