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amazônia/Meio Ambiente
RSSPesquisadores do Inpa fazem inventário de aves no sudeste do Amazonas
A iniciativa, liderada por Camila Ribas, visa pesquisar a avifauna residente em manchas de campinas naturais (vegetação baixa que lembra o Cerrado) cercadas pela floresta.
Manaus - Estudo coordenado pelo pesquisador Mario Cohn-Haft com equipe do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) realiza o primeiro inventário das espécies de aves da região de Boca do Acre, no sudoeste do Amazonas, nas Florestas Nacionais do Iquiri e do Purus.
A iniciativa, liderada por Camila Ribas, visa pesquisar a avifauna residente em manchas de campinas naturais (vegetação baixa que lembra o Cerrado) cercadas pela floresta.
Durante os trabalhos, os pesquisadores realizaram um inventário no interior da Floresta Nacional do Purus, mais precisamente no Rio Inauini. Para o chefe da Floresta Nacional do Purus, Ricardo Sampaio, o primeiro inventário ornitológico na região vai contribuir para a gestão da Unidade de Conservação (UCs) e para formulação do plano de manejo da Floresta Nacional do Iquiri.
"De forma integrada podemos aumentar o número de pesquisas realizadas em nossas UCs. A região de Boca do Acre é importantíssima biogeograficamente. A ideia é fomentar o ecoturismo na região, gerando renda de forma sustentável aos moradores tradicionais, além de melhorar a estrutura logística de ambas as florestas e do escritório regional do ICMBio", afirma Sampaio.
Cohn-Haft conta que em cinco dias em cada localidade foram registradas 380 espécies de pássaros. "Estimamos que ocorram na região cerca de 700 espécies, ou seja, mais da metade de todas as aves amazônicas. A região representa o ponto de encontro entre a avifauna da Amazônia central com a típica da Amazônia peruana ou acreana. O resultado dessa mistura é uma diversidade estupenda", destaca.
No meio de todos esses pássaros estão algumas espécies raras ou muito procuradas por observadores de aves como, por exemplo, o maracanã-de-cabeça-azul (Primolius couloni), a choca-do-bambu (Cymbilaimus santaemariae), a choca-preta (Neoctantes Níger), o formigueiro-do-bambu (Percnostola lophotes), a garrincha-cinza (Cantorchilus griséus), a pipira-azul (Cyanicterus cyanicterus), e uma espécie nova de gralha (Cyanocorax sp), ainda não descrita formalmente pela ciência.
Essas e outras aves têm um apelo especial para um tipo de ecoturista. A facilidade de encontrar todas elas em uma viagem cria um potencial grande para o turismo de observação de aves na região, atividade que movimenta milhões de dólares no mundo.
"Em poucos dias detectamos todas as cinco espécies de urutaus, aves noturnas da família da 'mãe-da-lua', que são pouco conhecidas. A última e talvez mais rara dessas, o urutau-ferrugem (Nyctibius bracteatus) só foi encontrado porque o morador que estava nos ajudando reconheceu uma foto do animal e nos levou para a localidade onde disse ter visto um há poucas semanas, próximo aos tabocais, na Floresta Nacional do Purus", comenta Cohn-Haft.
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