amazônia/Meio Ambiente
RSSFalta de planejamento afeta interior do Amazonas na época da vazante
Situação pode levar a racionamento de energia elétrica e medicamentos.
Manaus - O planejamento do governo do Estado para enfrentar o isolamento dos municípios atingidos pela vazante dos rios amazônicos é insuficiente para “socorrer as cidades quase sem recursos”, como avaliou o vice-presidente da Associação Amazonense de Municípios e prefeito de Itamarati (982 km de distância de Manaus), João Medeiros Campelo (PMDB).
De acordo com o prefeito, somente próximo a Itamarati existem cinco balsas encalhadas na comunidade de Jiboá carregadas de alimentos e óleo diesel para geração de energia elétrica. “Estamos pegando os alimentos e levando de canoa até a cidade e a Petrobras está fazendo o mesmo com o combustível”.
Segundo o engenheiro e assistente da diretoria de Geração e Distribuição da Eletrobras Amazonas Energia, Elson Athan, a Petrobras vende e transporta combustível para a concessionária. Ele afirmou, ainda, que a estratégia de abastecimento das usinas do interior prevê o estoque de óleo.
“Cada cidade tem um reservatório com capacidade que varia de 30 mil a 1 milhão de litros para armazenar óleo diesel e atender a cidade de 30 a 90 dias. Isso nos garante que o interior não tenha racionamento de energia durante a vazante”, explicou.
A Prefeitura de Envira (a 1.026 km da capital) está com os estoques de medicamentos, alimentos e diesel em estado crítico. O prefeito Rômulo Barbosa Matos (PPS), decretou situação de emergência na última sexta-feira e ainda não recebeu ajuda do poder público estadual.
“O preços dos alimentos e remédios subiram e estamos quase sem diesel. Se não formos socorridos na próxima semana, pode ser que a cidade tenha racionamento de energia e isso pode estragar parte da comida”, relatou. Matos desconhece o reservatório de diesel e afirmou que está conversando com os comerciantes para que eles estabilizem os preços.
A Defesa Civil do Amazonas informou que há 15 dias emitiu alerta preventivo sobre a baixa do nível dos rios para 27 cidades. Até ontem apenas dois municípios responderam e não há registro de estado de emergência.
Além de Envira, o município de Canutama (a 615 km de Manaus) também está preocupado com a quantidade de remédio que existe tanto nas farmácias quanto no hospital da cidade, que demora 60 dias para chegar, informou o prefeito João Ocivaldo Batista (PP).
O secretário de Estado da Saúde, Wilson Alecrim, disse que a remessa de medicamentos pode ser feita por outros meios. “Podemos usar aviões de pequeno porte ou helicópteros. Os prefeitos podem ficar tranquilos que agiremos tão logo o estado de emergência torne-se oficial”.
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