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A usina será construída em uma área já desmatada, ao lado da usina Mauá, no bairro Mauazinho, zona leste de Manaus. A energia elétrica produzida pela ‘Mauá 3’ será usada para reforçar a geração do parque energético

[ i ] Área pertencente à concessionária ao lado do complexo de Usinas Termoelétricas (UTEs) de Mauá foi desmatada para a construção da nova térmica movida a gás de Urucu Foto: Divulgação/Eletrobras Amazonas Energia e Sandro Pereira Área pertencente à concessionária ao lado do complexo de Usinas Termoelétricas (UTEs) de Mauá foi desmatada para a construção da nova térmica movida a gás de Urucu

Manaus - A obra da megausina termoelétrica de gás natural de ciclo combinado (que utiliza gás e vapor para acionar as turbinas) deve ter o processo de licitação internacional aberto até fevereiro, de acordo com a Eletrobras Amazonas Energia. Com investimento estimado em 500 milhões de dólares (R$ 879,5 milhões), o empreendimento terá capacidade para produzir entre 400 e 650 megawatts (MW), quase a metade do atual parque gerador de Manaus.

“A empresa contratada será responsável por todo o processo de implantação da usina e deverá entregar a unidade em plenas condições de operação, dentro do chamado regime turn-key”, informa o diretor de Geração, Transmissão e Operação, Tarcísio Rosa. Além de proprietária do ativo, a gestão será de responsabilidade da estatal, que detém a concessão para gerar e distribuir energia na capital e no interior.

De acordo com a empresa, o vencedor da licitação da usina que tem o nome provisório de ‘Mauá 3’, deve concluir a obra até 2014, antes da realização da Copa do Mundo. “As tratativas processuais ainda tramitam junto à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). A previsão de construção da usina é de 24 meses após a assinatura do contrato”, informou o executivo.

A usina será construída em uma área já desmatada, de propriedade da empresa, ao lado da usina Mauá, no bairro Mauazinho, zona leste de Manaus.

A energia elétrica produzida pela ‘Mauá 3’ será usada para reforçar a geração do parque energético de Manaus. “O novo empreendimento será construído com o objetivo de consumir parte do gás natural proveniente da plataforma petrolífera da Bacia de Urucu”, explica Tarcísio Rosa.

Aproximadamente 2 mil metros cúbicos por dia de gás natural serão transformados em energia elétrica para atender a capital amazonense.

O contrato de 2006 com prazo de 20 anos assinado entre a Amazonas Energia, a Transpetro, da Petrobras, e a Companhia de Gás do Amazonas (Cigás), prevê o fornecimento diário de 5 milhões de metros cúbicos (m³) de gás natural. Por falta de demanda das usinas, atualmente, a Petrobras informou que deixa de escoar 3 milhões de m³ diários para o mercado local.

A Petrobras é proprietária de três usinas térmicas em Manaus, pioneiras na utilização do gás de Urucu, que juntas têm capacidade instalada de 180 MW.

De acordo com a Amazonas Energia, o volume contratado inicialmente é suficiente para abastecer a megausina a ser construída, além das térmicas, que estão em processo de conversão do óleo para o gás natural.

A concessionária converteu seis unidades para o gás natural. São quatro unidades próprias, que estão localizadas nas Usinas Termoelétricas (UTEs) de Aparecida, onde a empresa aplicou R$ 12,1 milhões no processo de conversão, além de duas das quatro unidades de Mauá, onde foram investidos R$ 6,3 milhões. Há cinco Produtores Independentes de Energia (PIEs) contratados pela Amazonas Energia: Jaraqui, Tambaqui, Manauara, Gera e Cristiano Rocha, sendo que destes, dois operam em 100% e os demais, parcialmente.

Jaraqui e Tambaqui, são térmicas controladas pela Petrobras com 60 MW de capacidade cada uma, que foram pioneiras no processo de conversão de óleo combustível para o gás de Urucu.

Parque local vai deixar de usar óleo

O começo da operação da nova usina reduzirá o consumo de óleo utilizado pelas termoelétricas de Manaus. “A entrada dessa usina servirá para, praticamente eliminar o consumo de óleo combustível”, disse o diretor da concessionária, Tarcísio Rosa.

Após a obra de interligação do linhão da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, com o parque de Manaus,  o consumo do óleo, que é caro e poluente, será extinto em Manaus. A exceção local é a hidrelétrica de Balbina, em Presidente Figueiredo (a 117 quilômetros ao norte de Manaus). A conversão vai evitar a emissão de cerca de 1,2 milhão de toneladas de gás carbônico por ano, além de reduzir o consumo anual de 1,2 bilhão de litros de óleos combustível e diesel.

“A empresa irá desativar usinas com eficiência mais baixa e contratos de locação de energia”, contou, ao se referir à compra de parte da geração de produtores independentes.

Promessa foi anunciada por Dilma

Quando ainda era ministra-chefe da Casa Civil do governo Lula, a presidente Dilma Rousseff comunicou, em dezembro de 2007, a construção dessa usina. Na ocasião, ela disse que a usina tornaria possível a construção do anel de transmissão, em 230 Kv (kilo-volts), interligando Manaus a Balbina.

Em 2011, a presidente determinou ao Ministério de Minas e Energia prioridade para resolver os problemas de ‘apagões’ e racionamento. A usina integra o Plano Estratégico,  que segundo informações repassadas pelo senador Eduardo Braga, em dezembro, transformará Manaus em um ‘hub’ do sistema nacional em 30 anos.

A partir do linhão Tucuruí-Manaus e parte dos municípios do sudoeste do Estado farão parte do Sistema Interligado Nacional (SIN), o que tornará viável até venda do excedente da energia local gerada pela megausina para outras regiões, se houver  mercado.

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