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amazônia/Meio Ambiente
RSSCrise na Europa pode ser entrave para negociações na COP-16
Mas há avanços que podem ocorrer no México a partir de amanhã (29), quando tem início a reunião que sucede o fracasso da COP-15, em Copenhague.
São Paulo - Ninguém espera que saia de Cancún, durante a Conferência do Clima da ONU (a COP-16), um tratado global com as metas para os países cortarem suas emissões dos gases que provocam o aquecimento global. A crise econômica que atinge a Europa e a falta de uma lei nacional de mudanças climáticas nos Estados Unidos são um grave entrave para as negociações.
"As condições internacionais não se tornaram mais favoráveis a um acordo. Nada leva a crer que nós temos condições de concretizar o que não foi possível em Copenhague", disse o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado.
Mas há avanços que podem ocorrer no México a partir de amanhã (29), quando tem início a reunião que sucede o fracasso da COP-15, em Copenhague. Ambientalistas cobram seriedade nos trabalhos - eles temem que os representantes das 194 nações encarem o evento como um "passeio na praia".
Uma definição que precisa ocorrer o quanto antes, por exemplo, é se o Protocolo de Kyoto vai continuar. O primeiro período de compromisso do tratado se encerra em 2012 e não existe nada para substituí-lo. Os países em desenvolvimento, como o Brasil, querem que as nações ricas se comprometam com um segundo período de Kyoto. Porém, as nações ricas não querem manter um tratado que não tem a participação dos EUA, os maiores responsáveis históricos pelas emissões.
"Esse é um tema espinhoso, que requererá um esforço negociador importante", afirmou o embaixador. Ele elogia Kyoto por seu rigor e avalia que a perda desse protocolo acarretaria numa grande perda de tempo para refazer as regras.
Um dos pontos cruciais nessa briga é que Kyoto não obriga os países em desenvolvimento a terem metas obrigatórias. Mas, com as emissões crescentes dos países emergentes, como China e Índia, os países ricos argumentam que o desafio só será vencido se todos se engajarem.
O detalhamento de como funcionará o financiamento também precisa ser feito com urgência - os países desenvolvidos precisam repassar recursos para os demais conseguirem reduzir as emissões e se adaptar para as mudanças inevitáveis provocadas pelo aumento da temperatura no mundo.
Sem retrocesso
A senadora Marina Silva, candidata derrotada à presidência pelo PV e ex-ministra do Meio Ambiente, defende que o Brasil não retroceda em relação ao discurso feito no ano passado na Dinamarca. O País assumiu meta de cortar as emissões de gases-estufa entre 36% e 39% até 2020, comparado ao emitido caso nada fosse feito.
O objetivo já se tornou lei, mas a legislação ainda não foi regulamentada. Marina, que vai a Cancún, pede urgência nesse processo e mais transparência no setor. Para ela, assim como as taxas do desmatamento são abertas para toda a população, as projeções das emissões do País também devem ser públicas e passíveis de revisão pela sociedade.
Na opinião do consultor do Ministério do Meio Ambiente Tasso Azevedo, a expectativa menor pode ser benéfica - o encontro fluir melhor. Segundo ele, um bom resultado em Cancún é sair da reunião com a organização para um novo acordo. Ele afirma que o Brasil prepara as projeções de emissões para chegar ao México com sua meta transformada num número concreto.
"A agenda é complexa, muito abrangente e ainda é preciso amadurecer a discussão. Mas espero que haja avanços e a definição de um plano de trabalho", disse Carlos Rittl, coordenador do Programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil.
Para Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace, o Brasil não pode conviver com uma "reunião medíocre". Segundo ele, por causa da baixa expectativa, "há um cheiro de facilidade e burocracia no ar".
"É um absurdo que a gente tolere um passeio na praia. Não precisamos de centenas de negociadores para fazer um simples calendário", ressalta.
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