amazônia/Meio Ambiente
RSSCatraieiro ajuda a resgatar filhote órfã de peixe-boi em Iranduba
Com a ajuda do Batalhão da Polícia Militar Ambiental, a filhote órfã foi levada para o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), onde será tratada.
Manaus - O catraieiro Elias Gomes Lima, de 25 anos, relata emocionado como foi o resgatar uma filhote de peixe-boi, por volta das 10h30, desta segunda-feira, 03 de janeiro, nas águas da comunidade do Cacau-Pirêra, município de Iranduba. Pai de três filhas, Elias compara a fragilidade do mamífero a de um bebê. "Ela estava com tanto medo que chorava igual criança. Não sei como alguém pode fazer mau a um animal desses".
Quando avistou a filhote, Elias trabalhava na retirada de plantas aquáticas que ocupavam a superfície do rio. "Eu olhei um negócio na água se mexendo e achei que era uma cobra. Chamei meu patrão e ele quem disse que era um peixe-boi", comenta. Esta foi a primeira que o catraieiro viu um exemplar da espécie.
"Ela estava sem a mãe e chorava muito. Era um choro de bebê. Parei o trabalho e fiquei com a filhote, enquanto meu patrão foi pegar uma caixa de isopor de 45 litros", descreve o trabalhador.
Conforme relatos de Elias, depois de ligar para a polícia e Corpo de Bombeiros, os dois decidiram colocar a filhote na caixa com água e trazê-la de lancha. "Vínhamos com tanto cuidado que demoramos cerca de 10 minutos para chegar. Fiquei muito emocionado em poder salvar um animal tão dócil", destaca.
Com a ajuda do Batalhão da Polícia Militar Ambiental, a filhote órfã foi levada para o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Segundo a assessoria do Inpa, a fêmea de um mês de idade já se alimentou e está em período de quarentena para se adaptar ao tanques do instituto.
Efeitos da matança
Segundo os pesquisadores do Inpa, a grande concentração de plantas aquáticas que Elias combate para passar com mais segurança pelas calhas dos rios amazônicos já é um reflexo da redução do número de peixes-bois na região. Por ser um animal herbívoro (que se alimenta de plantas aquáticas), a espécie evita o acumulo de vegetações no rio, permitindo a passagem de embarcações.
Números de 2010
No ano passado, a Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) conseguiu resgatar 13 filhotes de peixe-boi. A AMPA atua em convênio com o Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (LMA/Inpa) e é patrocinada pela Petrobras.
De acordo com a AMPA, os animais podem retornar à natureza, por meio do Programa de Reintrodução de Peixes-bois da Amazônia Criados em Cativeiro, realizado pela Ampa e Inpa.
“O nosso objetivo não é colecionar exemplares da espécie. Nós recomendamos que quando um filhote de peixe-boi for avistado sozinho; que a pessoa possa observar por alguns minutos se a mãe está por perto. Se ele de fato estiver sozinho, aí sim, entrar em contato com os órgãos ligados ao meio ambiente para fazer o mais rápido possível o resgate. Caso contrário, orientamos que devolva o animal imediatamente para a natureza para que ele possa exercer sua função no ecossistema”, ressalta o diretor da Ampa, Jone César Silva.
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