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Pesquisadores e técnicos realizam reprodução de matrinxã em viveiro através de aplicação de hormônio.

[ i ] Antigamente, para realizar a reprodução induzida nos viveiros, os pesquisadores tinham que capturar hormônios de peixes na natureza. Foto: Divulgação Antigamente, para realizar a reprodução induzida nos viveiros, os pesquisadores tinham que capturar hormônios de peixes na natureza.

O grupo de pesquisa Aquicultura na Amazônia Ocidental, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), realiza todo ano o Manejo de reprodutores e reprodução induzida do Matrinxã (Brycon amazonicus), para atenderem a demanda de projetos, assistindo comunidades com doações de larvas de peixes (alevinos), e ainda mostrando, para pequenos produtores, que é possível serem autossuficientes na comercialização de peixes e alevinos.

Antigamente, para realizar a reprodução induzida nos viveiros, os pesquisadores tinham que capturar hormônios de peixes na natureza, pois não existia hipófise (uma glândula de secreção de hormônios) industrializada no comércio. Para isso criavam espécies regionais em cativeiro, como o curimatã, que era bastante utilizado para a extração e utilização dessas hipófises.

“Hoje em dia há hormônios e hipófises industrializadas no mercado, beneficiando ainda mais o manejo e a comercialização dos piscicultores, sem que haja a necessidade de sacrificar vários peixes para isso”, ressalta o engenheiro de pesca e técnico do manejo de reprodução do Inpa, Waldir Bitar.

Manejo dos reprodutores

Para que a fase de manejo do matrinxã seja bem sucedida é necessário aclimatar o viveiro de acordo com a temperatura que os peixes estavam acostumados a se reproduzir na natureza. Por isso variações acentuadas na água, como a concentração de oxigênio dissolvido, podem regredir todo o processo. “Essa fase de manejo se inicia logo após o término do ciclo reprodutivo da espécie. Entre os meses de fevereiro e março são selecionados os futuros reprodutores”, explica Bitar.

Quando estão na natureza, os peixes precisam de estímulos ambientais precisos para que possam reproduzir. Já quando são levados para cativeiro, não conseguem chegar ao estágio da desova, por isso precisam de estímulos artificiais. “Nós induzimos o peixe à desova, injetando a hipófise industrializada em horários programados, depois fazemos a coleta dos ovócitos da fêmea e juntamos com o líquido seminal do macho para que aconteça a fertilização”, esclarece o pesquisador.

Depois de fertilizados, os ovócitos viram larvas e vão para a incubadora, onde ficam por 36 horas após a eclosão. Nesse momento os alevinos já se alimentaram de todo vitelo que tinham e, como seu trato digestivo começa a se aperfeiçoar em busca de alimento, o instinto de canibalismo vem à tona. Nessa fase é preciso conduzir as larvas ao viveiro, devidamente adubado, o mais rápido possível.           

O engenheiro conta que, após a transição dos alevinos da incubadora, os viveiros são adubados com ração e zooplâncton, para as larvas se alimentarem. Mas mesmo com alimento disponível, as larvas ainda continuam a se devorar. Isto explica porque o índice de sobrevivência dos matrinxãs em viveiro é muito baixo, pouco mais de 20%.

“Esse ano o grupo de pesquisa bateu seu próprio recorde, com mais de 400 mil larvas em uma única reprodução realizada no laboratório. Foi um dos melhores resultados em 10 anos”, comenta Bitar.

Piscicultores autossuficientes no comércio

Com as técnicas aprimoradas e condições de trabalho favoráveis, o pesquisador afirma que é possível pequenos produtores, através de cooperativas e associações, terem seu próprio viveiro e assim criar vários peixes, não só o matrinxã, mas também o tambaqui, por exemplo, que tem grande valor no mercado.

“Através da produção de pescado podemos melhorar ainda mais a qualidade de vida da população ribeirinha, do agricultor e também do piscicultor. Pois como sabemos, o peixe é uma fonte de proteína barata e sadia”, finaliza o pesquisador.

No ano de 2012 a Coordenação de pesquisas em Aquicultura irá iniciar Manejo de reprodutores e reprodução induzida com outras espécies, como é o caso do aracu (Leporinus fasciatus).

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